SONHOU SER JOGADOR PROFISSIONAL DE FUTEBOL E CHEGOU LÁ.

Sonho de infância
Ser jogador de futebol é o sonho da maioria dos meninos brasileiros. Muitos acreditam que por meio dele será possível uma vida de sofisticação. Mas não é essa a realidade vivida por todos os profissionais do ramo. De acordo com a CBF, atualmente 12.599 jogadores estão registrados no país, e 82% deles recebem até dois salários mínimos apenas, sendo que alguns jogam de graça.
Durante muito tempo com Gustavo Boccoli não foi diferente. Só depois de alguns anos ele veio a entender que “entre se tornar um jogador de futebol e conseguir fazer sucesso, há uma distância muito grande, por isso muitos acabam não conseguindo permanecer neste caminho, tendo uma vida de frustração”.
Quem vê hoje o jogador do Maccabi Haifa – time de Israel – não faz ideia do que ele passou antes de conquistar a fama e o sucesso. VEJA O VÍDEO:

Tive que mudar meu foco
“Desde criança eu sempre fui apoiado pelos meus pais em relação ao meu sonho, principalmente por minha mãe, mas ela dizia: “primeiro você vai ter que estudar”. Eu obedeci e me entreguei aos estudos, mas também ao meu desejo profissional. Eu sabia que tinha futuro. Eu era bom naquilo que queria”.
Por isso, em 1986 surgiu a oportunidade de entrar para um clube, em São Miguel Paulista. Ainda criança, Gustavo jogava por amor, não por dinheiro. Mas não imagina o que ainda iria passar em nome do futebol. A luta estava apenas começando.
Uma vida inteira de busca incansável por respostas, assim ele resume sua história até um determinado período, quando só se deparava com portas fechadas. Com o passar do tempo, sem ver seu sonho se concretizar, ganhou uma bolsa de estudos para jogar futebol de salão (também conhecido como futsal – é uma adaptação em quadra esportiva, contando apenas com 5 jogadores). Com o coração partido, aceitou mudar o foco e já não acreditava que teria novamente oportunidade de jogar no campo – como profissional – sua grande paixão!
Sede de realizar um sonho
Alguns anos se passaram e, em um determinado momento, de forma inesperada, surgiu um convite para voltar aos gramados. Gustavo mal pôde acreditar… era só alegria… e teve que se readaptar, afinal, tudo era diferente do futebol de salão. “Eu nem sabia qual era a posição que jogaria… mas a sede de realizar um sonho era bem mais forte, e me dediquei 100 %”.
Assim começou uma nova etapa, de lutas ainda maiores. Desde então passou por muitos clubes no Brasil e também fora, como Portugal, Itália, Iugoslávia,  Turquia, China e Israel. Muitas viagens, mas nada acontecia na vida profissional. “Era desesperador! Só promessas, palavras que não se cumpriam. Em nenhum lugar eu conseguia sucesso ou era contratado”.
Em meio a todas essas lutas, tentativas e frustrações, voltou ao Brasil, desacreditado. Foi quando reencontrou uma amiga da infância, a Josiane. “Uma amiga certa, na hora certa. Naqueles momentos com ela pude me desligar um pouco dos problemas e colocar a cabeça em ordem”.

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De desempregado a melhor do país
Ela passou a ajudá-lo, tornando-se parte da vida dele. “Nos apaixonamos… foi avassalador!” O casamento aconteceu 6 meses depois. Em seguida foram embora para Israel, com mais uma promessa de trabalho. Só que aí com um diferencial. Não só por causa da Josi, mas porque neste período no Brasil, tentando ajuda-lo, ela o convidou para um programa diferente, e, claro, depois de muita recusa, Gustavo acabou cedendo. “Me acompanhe em uma reunião na Universal. Eu já conheço. Só quero que você veja se vale a pena ou não”. Essas palavras foram decisivas. “Quando saí do Brasil eu era um novo Gustavo, lutando pelo sonho antigo, mas a minha forma de olhar era diferente”.
Em Israel o casal enfrentou todo tipo de lutas… até fome. Mas ele disse: “não vou sair daqui sem antes realizar meu sonho”. Boccoli já entendia o peso de uma determinação. E passou a acreditar que, porque determinou algo, não morreria sem ver a realização. Não era pensamento positivo, era certeza.
E inacreditavelmente, dessa vez portas se abriram, as mesmas que lá atrás estiveram fechadas. Lá o atleta passou pelo Hapoel Ramat Gan. Depois pelo Maccabi Ahi Nazareth – onde jogou 2 temporadas e foi campeão. O time subiu para a primeira divisão e Gustavo foi considerado o melhor jogador estrangeiro, ganhando do prefeito a chave da cidade. Era impossível não reconhecer que algo novo, externamente, começara a acontecer, fruto daquela mudança interna.
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Entrou para a história
Já conhecido em Israel, em 2003, o jogador foi para o Maccabi Haifa. Impressionante! No primeiro ano foi campeão. No segundo, campeão e considerado o melhor jogador da temporada do país. Até agora já são 4 campeonatos e 2 Copas. Desde que Gustavo chegou o time já disputou Copa da UEFA e Copa dos Campoēs com grandes clubes como, Bayer de Munique, Juventus, Liverpool – contra quem marcou gol. O gol contra o Auxerre – time francês – é considerado um dos dez mais bonitos da Europa.
Hoje não é exagero afirmar que o atleta só tem tido alegrias. Já são 16 anos de profissão, 13 anos só em Israel, tendo no país respeito por parte dos torcedores, amigos e dirigentes do clube. Gustavo é considerado exemplo como pessoa e profissional. Uma grande conquista!
Porém além do esporte, hoje também desenvolve suas habilidades como empreedendor. “Gosto muito de investir em imóveis, comprar terrenos, construir, para depois vender. Descobri que também tenho dom para os negócios imobiliários”.
Mas o que ele considera ainda melhor é o fato de ter se tornado campeão também na vida por causa das escolhas que ele intitula como “inteligentes”. O atleta explica que ao se casar com a Josi, ambos formaram uma parceria de sucesso, onde o respeito, o companheirismo e a fidelidade são compromissos honrados pelos dois. Mas antes desse casamento, fizeram uma aliança ainda mais importante, com Deus. E os três, então, tornaram-se parceiros em tudo.
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Tal pai, tal filho
O que a Josi não imaginava é que o fruto dessa união seria também um apaixonado pelo futebol. Gabriel está com apenas 7 anos e garante que será um grande jogador no futuro. Ele já treina na escolinha do clube em que o pai trabalha, e leva tudo muito a sério, desde treinos, até campeonatos. “O Gabi é igualzinho ao Gustavo. Até dormindo ele consegue expressar sua paixão pelo futebol. Minha maior alegria é saber que entre o esporte e frequentar a igreja, ele fica com a segunda opção, entendendo que Jesus é prioridade em nossas vidas”.
Preparando jovens para o futuro
Em um país em que conflitos sociais são bem comuns, o casal desenvolve um trabalho social que tem surtido efeitos positivos. A escolinha de futebol beneficente visa ajudar crianças e jovens através do esporte. Eles recebem ensinamentos sobre a profissão e com isso ocorre uma quebra de barreiras entre religiões, pois no mesmo grupo tem judeus e árabes muçulmanos. O casal afirma que estão trabalhando para conseguir através do esporte e do amor, unir os jovens que são o futuro do país.
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Gustavo Boccoli não vive mais preocupado com o futuro, alcançou maturidade e aprendeu com cada luta que enfrentou. E diz: “para mim a vida é como uma nuvem que hoje está e logo desaparece, por isso procuro aproveitar cada instante como se fosse o último”. Ele também afirma que se não tivesse aprendido a usar a fé com certeza teria uma vida frustrada, assim como muitos, pois seguramente não seria um homem de sucesso em todas as áreas, como hoje é.
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